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Editorial
Latusa
digital acolhe mais quatro trabalhos sobre “A política
do medo e o dizer do psicanalista”. Os ângulos
escolhidos pelos autores para enfocar o tema oferecem
uma boa contribuição às nossas
Jornadas clínicas.
Heloisa
Caldas, em “Que cidade é essa? – Dogville”,
em um texto envolvente, faz do comentário do
filme impactante de Lars Von Trier, o filão
para tratar da “lógica do desmesurado, do absurdo,
do infinito e do cínico” que rege a política
mundial na contemporaneidade. Através de três
personagens: Tom, Grace e, de modo surpreendente,
o cachorro são discutidas questões candentes:
a queda dos ideais e algumas formas de gozo freqüentes
na atualidade. Tom, misto de pastor e filósofo,
cheio de “boas intenções” pretende levar
sua comunidade à aceitação. Grace
é adotada e passa ao gozo do sacrifício.
O mais interessante, no entanto, é a comparação
entre o gozo do cachorro, limitado ao seu osso, e
as formas de gozo ilimitado dos personagens de Dogville,
exemplos das que caracterizam estes tempos hipermodernos.
Em
“A lei do silêncio e a escuta do psicanalista”,
Maria Inês Lamy se pergunta, frente a pacientes
que perderam parentes e, por medo, estão submetidos
à lei do silêncio imposta pelo tráfico
de drogas: “o que deve ser privilegiado na escuta desses
sujeitos para que a fala deles não seja apenas
um desabafo ou o regozijo de contar a violência
sofrida e os detalhes de uma cena de horror?” No caso
de um menino que, desde o assassinato do pai, se mantinha
na posição de deficiente e de vítima
das agressões dos colegas, ela demonstra como
a injunção da lei do silêncio serviu
para que sua mãe calasse não só
o assassinato do pai, mas a culpa por ter desejado sua
morte.
Mirta Zbrun enfatiza, em “Política do medo versus
política lacaniana”, dentre as acepções
possíveis, que política lacaniana se refere
à do tratamento, tal como desenvolvida por Lacan
em “A direção do tratamento”, designando
os objetivos da formação dos analistas
e também os da conclusão do tratamento.
Se a política da psicanálise, contrapondo-se
a do medo, o trata, Mirta passa a distinguir medo de
angústia, trazendo as formulações
de Freud e de Lacan sobre este afeto, e ainda contribuições
de Miller em seu curso deste ano.
Em “Inconsciente: topografia e topologia”, Maria Angela
Maia discute o conceito de inconsciente em Freud e em
Lacan, e as formulações de Jacques-Alain
Miller, em seu curso O lugar e o laço, referentes
à distinção entre lieu e place.
Conclui que, se nossa prática é orientada
para o real, ela visa em última instância
“o que está por trás da fantasia, fundadora
do furo que permite a abertura e o fechamento do inconsciente,
onde o sujeito seria apenas Um significante”.
Passemos
à leitura
Elisa
Monteiro
Texto na íntegra
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