 |
|
Editorial
É
com uma feliz coincidência que esse número
de Latusa digital colabora para o tema das Jornadas
Clínicas da EBP-Rio: Sinthoma, corpo e laço
social.
Digo isso porque é raro obter um texto teórico
que dialogue tão bem com um relato clínico
como encontramos aqui. Parece que às questões
teóricas formuladas por Ronald Portillo sobre
os chamados ‘novos sintomas’, o caso clínico
de Carlos Augusto Nicéas responde: presente!
Portillo destaca de saída a ascendência
do gozo sobre o ideal. Não estamos mais nos tempos
da renúncia. Nicéas nos relata a demanda
do paciente: "Eu só fico na minha quando
fumo ou quando cheiro. E disso não abro mão”.
Portillo salienta que as patologias contemporâneas
constituem refúgios de gozo refratários
ao sentido inconsciente. É preciso, ressalta
ele, que se consiga conectar o gozo a algum sentido
dando assim acesso ao inconsciente, condição
do tratamento psicanalítico. No relato do caso,
acompanhamos o esforço de Nicéas para
produzir no paciente uma questão subjetiva, um
arranjo mínimo que abra o campo para o psicanalítico.
E ele vislumbra, na oferta do semblante de advogado/decifrador,
uma tênue possibilidade, sinal mínimo de
uma transferência. Quem sabe obter algo pela outra
vertente possível que Portillo assinala: a de
fazer existir o inconsciente como saber pela via do
amor.
Eis alguns pontos, dentre outros, que ilustram a feliz
coincidência e a excelente lição
que essa conversa da teoria com a prática oferece.
Heloisa
Caldas
|
|
|
 |
Números
Anteriores
|
|
| |
|