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Editorial
Em
entrevista recente a Delegada Geral da AMP, Graciela
Brodsky, destaca na Orientação Lacaniana de J.-A.
Miller uma expressão: ação lacaniana. Ela
esclarece que o discurso analítico que orienta essa ação
dirige-se ao Outro, não à massa, buscando na multidão
a brecha na qual se aloja o sujeito e seu gozo.
Nesse
número 2 de Latusa digital, três artigos vão
nessa direção. Evidentemente, foram produções
anteriores ao efeito de ressonância da expressão
referida há poucos dias. Acontece que é justamente
no tempo posterior que um significante pode ter o
sucesso de fazer saber. Esse é o caso e por isso
serve para dar, a esse número da revista, a chave de
leitura.
O
artigo de Mirta Zbrun, fruto de sua apresentação no
Seminário de Orientação Lacaniana, explicita o que
Miller publicou em Le neveu de Lacan e nos
ensina sobre a história do Syllabus e da Rerum
Novarum. Que corte se operou entre ambos e que lição
tirar daí para a ação lacaniana?
O
texto de Lenita Bentes, inspirado na sua longa experiência
com a clínica da toxicomania e do alcoolismo, aponta
a descontinuidade que o discurso do analista deve
operar face o discurso capitalista que oblitera o
real: como fazer da ação lacaniana
uma ação contrária à da utilidade direta?
Finalmente,
no encalço da lógica da poética, ato que uma ação
pode favorecer, Ruth Cohen, intrigada pelo termo forçamento,
nos presenteia com sua pesquisa sobre o conceito: como
forçar os saberes para apontar um caminho possível
ao gozo inominável?
Heloisa
Caldas
Editora de Latusa
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