Este
número de Latusa Digital traz os textos
de Paulo Vidal e Ruth Cohen.
Em tempo: "Sozinho, mas não sem os outros",
de Paulo Vidal, parte do escrito de Lacan “O
tempo lógico e a asserção de
certeza antecipada” (1945) e do curso de Miller
"Los usos del lapso" para localizar que
a articulação entre subjetividade e
temporalidade se acha no cerne do ensino de Jacques
Lacan. O autor apresenta seis resultados de sua pesquisa:
o estatuto de antecipação da certeza;
a retroação da conclusão sobre
as premissas no tempo lógico; a lógica
do ato como sendo a do tempo em psicanálise;
a pressa como temporalidade no tempo lógico;
a lógica do tempo em psicanálise como
sendo a lógica da casa vazia, derivada do próprio
estatuto das formações do inconsciente;
a análise como esboço de uma lógica
coletiva que não desconhece o insuportável
que habita o sujeito.
O texto de Ruth Cohen, "O que fazer com os restos
do banquete totêmico?", apresenta o percurso
de trabalho da Oficina com o mesmo nome organizado
em torno dos verbetes em Scilicet dos Nomes do
Pai: “Assassinato do pai”, de Vicente
Palomera, “Pós-modernidade e Nome-do-Pai”,
de Yunis, e “Autoridade”, de Leonardo
Gorostiza. A autora centra sua exposição
no argumento de Gorostiza de que a autoridade do pai
é tributária da ciência e da tecnologia
de mercado, e de que seu declínio é
conseqüência dos efeitos da globalização,
da sociedade de risco e da contingência. Recorre
às referências de Lacan em “Os
complexos familiares na formação do
indivíduo”, sobre o declínio da
imago paterna – e da própria localização
da psicanálise a partir deste declínio
– bem como aos comentários de Miller
sobre esse texto. Desenvolve sua argumentação,
distinguindo a condição de exceção
assumida pelo pai freudiano, coerente com a lógica
do para todo de sua época, e o pai
da hipermodernidade que obedece a lógica do
não-todo. A partir dessa lógica,
coloca-se a pergunta sobre o que restou do pai totêmico,
a partir da hegemonia do não-todo:
Quem se autoriza a encarnar a lei e como sustenta
essa autorização? Quem se responsabiliza
pela criança: o Conselho tutelar, a escola
ou a família? O que é interdito hoje?
Haveria um desaparecimento, uma omissão da
função paterna? O recurso ao verbete
“Pós-modernidade e Nome-do-Pai”
é uma tentativa de responder a essa pergunta
na direção da positividade da função
paterna a partir da psicanálise.
Cláudia Henschel de Lima
Coordenadora das XVII Jornadas Clínicas
da EBP-Rio