Os
dois textos que Latusa Digital publica nesse
número se inscrevem no tema das XVII Jornadas
Clínicas da EBP-RJ: Para que serve um Pai?
Usos e versões.
Em “Filho, não vês que estou queimando?”,
Ondina Machado, valendo-se do emocionante livro de
Khaled Hosseini O caçador de pipas,
desenvolve a questão: “o que é
um pai para um filho?”, que lhe chamou particular
atenção no seminário de Graciela
Brodsky do último Encontro Brasileiro do
Campo Freudiano em Salvador. Ondina demonstra,
por meio da elucubração de saber de
Amir sobre seu pai, que a função paterna
implica sempre um furo, já que não recobre
o pai como existência. Ela conclui que o pecado
do pai é não estar à altura da
função paterna e o do filho é
não perceber essa verdade.
Em “Nomes do tempo”, Nelisa Guimarães
e Mirta Fernandes valem-se da história verídica
de Ciro, dono da cantina do Instituto de Psiquiatria
da UFRJ. Ciro é, na maioria das vezes, guardião
e administrador dos recursos financeiros dos pacientes,
usando a garantia da palavra empenhada como Lei fundamental
que rege suas relações com eles. Nessa
direção, Nelisa discute a ética
de Ciro e a dimensão temporal que está
no centro dessa ética a partir das últimas
considerações de Lacan em seu seminário
sobre a topologia e o tempo e de
conceitos de Kant, Heidegger, Bergson e Merleau-Ponty.
Maria
Angela Maia