nš 24

SETEMBRO DE 2006 / ANO 3

 

Editorial

Os dois textos que Latusa Digital publica nesse número se inscrevem no tema das XVII Jornadas Clínicas da EBP-RJ: Para que serve um Pai? Usos e versões.
Em “Filho, não vês que estou queimando?”, Ondina Machado, valendo-se do emocionante livro de Khaled Hosseini O caçador de pipas, desenvolve a questão: “o que é um pai para um filho?”, que lhe chamou particular atenção no seminário de Graciela Brodsky do último Encontro Brasileiro do Campo Freudiano em Salvador. Ondina demonstra, por meio da elucubração de saber de Amir sobre seu pai, que a função paterna implica sempre um furo, já que não recobre o pai como existência. Ela conclui que o pecado do pai é não estar à altura da função paterna e o do filho é não perceber essa verdade.
Em “Nomes do tempo”, Nelisa Guimarães e Mirta Fernandes valem-se da história verídica de Ciro, dono da cantina do Instituto de Psiquiatria da UFRJ. Ciro é, na maioria das vezes, guardião e administrador dos recursos financeiros dos pacientes, usando a garantia da palavra empenhada como Lei fundamental que rege suas relações com eles. Nessa direção, Nelisa discute a ética de Ciro e a dimensão temporal que está no centro dessa ética a partir das últimas considerações de Lacan em seu seminário sobre a topologia e o tempo e de conceitos de Kant, Heidegger, Bergson e Merleau-Ponty.

Maria Angela Maia

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Filho, não vês que estou queimando!

Ondina Maria Rodrigues Machado

 

Nomes do tempo

Nelisa Guimarães e Mirta Fernandes