nš 25

NOVEMBRO DE 2006 / ANO 3

 

Editorial

Latusa digital reúne neste número que antecede a realização das XVII Jornadas Clínicas da EBP-Rio três textos que giram em torno do tema: Para que serve um pai? Usos e versões.
Em “O Outro que não existe, existe? (a psiquiatria, a psicanálise e o declínio do pai)”, Adriano Amaral de Aguiar se pergunta que outro Outro existiria em nossa época. Respondendo a essa questão, ele discorre sobre algumas transformações culturais decisivas para a constituição das subjetividades na contemporaneidade, caracterizada pelo declínio da função paterna e pela ascensão do objeto a ao zênite da cultura. Enfatizando a diferença entre o Outro da época de Freud, marcado pela lógica do Todo, e o Outro que impera na globalização, marcado pela lógica do não todo, o autor visa discutir os desafios que as novas configurações da subjetividade impõem à prática da psicanálise, assim como as disjunções entre a psiquiatria e a psicanálise que se apresentam na contemporaneidade.
O caso clínico relatado nossa colega da EBP Zelma Galesi, intitulado “Nome-do-Pai em um sujeito ultramoderno”, exemplifica claramente os desafios com que se depara o praticante da psicanálise diante dos novos sintomas. Trata-se do caso uma jovem que, não podendo se utilizar, após a morte da mãe, do Nome-do-Pai para colocá-la em regra com o seu desejo, chega ao analista num momento em que a fruição compulsiva de um gozo mortífero a levava a trilhar um caminho que poderia ser sem volta. O caso dessa Bady-boy mostra não só os desafios que seus sintomas puderam representar para sua entrada no tratamento, mas também as saídas que ela pode encontrar a partir dessa análise.
Em “Notícias de uma clínica particular: onde está o(P)ai (M)ilitar?”, Fernanda Campos, Flávia Brasil, Mª Celina Guimarães e Naiana Cordeiro retomam o tema do declínio do Nome-do-Pai para discutir como o apelo ao pai se faz ouvir numa clínica em uma instituição militar, visando pensar a direção do tratamento desses sujeitos. Em três vinhetas clínicas, elas destacam o gozo que pode ser depreendido em cada caso, propondo que, nos dois primeiros, a interpretação como corte permitiu que se operasse uma delimitação do gozo desses sujeitos, função que, no terceiro caso, foi desempenhada pela interpretação como pontuação.

Elisa Monteiro
Editora de Latusa

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O Outro que não existe, existe? (a psiquiatria, a psicanálise e o declínio do pai)

Adriano Amaral de Aguiar

 

Nome-do-Pai em um sujeito ultramoderno

Zelma Galesi

 

Notícias de uma clínica particular: onde está o(P)ai (M)ilitar?

Fernanda Campos, Flávia Brasil, Mª Celina Guimarães e Naiana Cordeiro