Neste
número de Latusa digital foram reunidos
dois textos que tratam do tema de nossa próxima
Jornada de Cartéis, A atualidade clínica
da transferência nos novos laços sociais
e familiares, a ser realizada em 9 de dezembro
no Data Centro (PUC-Rio).
Em “Nós que nos amamos tanto,
nosso convidado para essas Jornadas, Jorge Chamorro,
propõe ao analista não recuar diante
da demanda dos casais, já que sua resposta
não é restrita “a um dispositivo
particular, nem a um tempo determinado de duração
da sessão ou do tratamento”. Lembrando
que “uma entrevista pode ser suficiente para
o exercício de nossa resposta específica”
e que “não existem especialistas em famílias,
crianças, psicose ou casais”, ele indica
que cabe ao psicanalista “dar à palavra
um destino preciso”. Ao retomar o dito de Masotta,
Chamorro destaca algo fundamental para a clínica:
“onde está a palavra, o desejo circula,
bastando não intervir com a mangueira do bombeiro”.
Tomando alguns atendimentos de casais, Chamorro marca
que cabe ao analista ser um interceptador da referência,
ou seja, re-introjetar em cada um dos parceiros seu
próprio discurso, fazendo surgirem dois sujeitos
que são falados por seus sintomas, o que converte
o que cada um diz em versões dos conflitos.
Não abrindo mão dos princípios
que o orientam em sua prática, o analista pode
assim propiciar que se produza um alívio subjetivo
imediato (efeitos terapêuticos rápidos)
ou ainda que se abra a possibilidade para uma demanda
de análise de um dos parceiros.
Em As neo-transferências, apresentado
na II Preparatória para a Jornada de cartéis,
Maria Angela Maia retoma a hipótese sustentada
pela Seção Clínica de Angers
na Convenção de Antibes: o que motiva
a neo-transferência não é o sujeito
suposto saber, mas a alíngua da transferência.
Considerando a transferência a partir da concepção
do inconsciente, do sintoma, em sua vertente de gozo,
a autora ressalta a importância de esclarecermos
a diferença entre alíngua e
linguagem, sujeito e falasser. A idéia central
é pensar a neurose a partir do nos ensina a
psicose. Tomando esta indicação de Éric
Laurent:: “é preciso que sempre nos perguntemos
que língua fala o sujeito”, ela acentua
que não se trata apenas do psicótico,
mas de qualquer sujeito, já que a alíngua
da transferência é sempre “uma
bricolagem particular”.
Convido a todos para os debates da Jornada de Cartéis.
Angela Batista
Diretora de Cartéis e Iintercâmbio da
EBP-Rio