Latusa
digital reúne,
neste primeiro número de 2007, dois textos
que têm em comum terem sido escritos durante
recente percurso de seus autores na universidade.
Em “Pontuações sobre a teoria
do trauma em Freud e em Lacan”, Sandra Viola
parte da concepção freudiana de trauma
de 1895 como um quantum de excitação
que resta sem possibilidade de ligação
e/ou de escoamento. Acentuando que esse quantum
será pensado por Freud como resultante de uma
sedução efetiva da criança pelo
adulto e, depois, como decorrente de sua fantasia,
Sandra relembra a série freudiana: trauma –
sedução (abuso efetivo) – fantasia
– sintoma. Privilegiando a repetição
dos sonhos traumáticos, retoma o sonho da injeção
de Irmã e os comentários de Lacan sobre
o sonho: “Pai, não vês que estou
queimando!”, para concluir, com Éric
Laurent, que o que traumatiza o sujeito é nascer
imerso num banho de linguagem, apreendida como parasita
fora-do-sentido diante do qual o sujeito produz um
sintoma.
Haendel Motta Arantes, em “Lacan e o zen”,
extrato de sua monografia apresentada na UFF, discute
o corte analítico aproximando-o da técnica
da Escola Zen. Retoma algumas referências de
Lacan sobre o Zen para enfatizar que o que interessa
a Lacan é a maneira de proceder dos mestres
Zen diante da difícil tarefa de transmitir
os Koans. Com essa aproximação do corte
com a técnica Zen, Lacan pretenderia enfatizar,
segundo o autor, que a interpretação
deve visar em última instância interromper
o automaton do discurso, a opacidade mecânica
das palavras, “evocando sua abertura aos desfiladeiros
pulsionais”.
Elisa Monteiro
Editora de Latusa