O n° 29 de Latusa digital traz dois textos
que abordam a questão da inserção
do psicanalista na cultura, o “analista-cidadão”
nomeado por Éric Laurent. Cada texto trata,
a sua maneira, da psicanálise aplicada à
terapêutica como laço social na cultura.
As clínicas de Orientação lacaniana
vêm promovendo esse novo laço social
- o encontro com um analista.
Em tempos onde a chamada ao nominalismo do caso a
caso vem sendo cada vez mais difundida através
de técnicas que visam o apagamento do sujeito;
o esquecimento das tradições que o orientam,
eliminando sua memória; e fazendo surgir cada
vez mais o empuxo ao individualismo, torna-se necessário
conferir a expressão de Jacques-Alain Miller
“utilidade social da escuta” ao psicanalista.
É o que os autores destes artigos nos mostram
de forma contundente.
Manuel
Fernández Blanco em seu importante texto, “Cidadão-sintoma”,
que antecedeu as discussões do último
Encontro do Campo Freudiano - Pipol 3 – em Paris
neste mês de julho, defende de modo vigoroso
o “direito à psicanálise”
como algo demasiado precioso para que seja possível
apenas para algumas pessoas. Permitir a um sujeito
a experiência do inconsciente e encontrar a
lógica de suas próprias decisões
é, segundo o autor, assegurar a esse sujeito
a possibilidade de sair da repetição
do pior.
Eliana
Bentes Castro e Ana Lúcia Lutterbach Holck
ressaltam o fato de o analista estar advertido dos
efeitos dos discursos alienantes da cultura e, fazendo
suas as palavras de Éric Laurent, demarcam
o valor da psicanálise como ferramenta “capaz
de despertar o sujeito para além do assujeitamento
aos significantes mestres e para uma responsabilidade
inédita”.
Vanda
Assumpção Almeida
Secretária de edição de Latusa