Nas
vésperas das XVIII Jornadas Clínicas
da EBP-Rio, Objetos soletrados no corpo, este número
de Latusa conta com dois textos dos mais-um dos cartéis
que compõem a Comissão Científica
dessas Jornadas.
Elza
Lisboa de Freitas articula psicanálise e a
literatura, tomando uma filigrana da obra de Marcel
Proust, Em busca do tempo perdido. O personagem ao
beber uma xícara de chá é invadido
por um “prazer imenso, isolado, sem a noção
de sua causa”. Ele busca em vão repetir
a experiência, que ressurge em momentos inesperados.
Elza esclarece sua característica de reminiscência
em que o personagem é tocado pelo viés
real do objeto; ela define: “instante presente
de quase captura do tempo perdido, apenas por ser
passado”.
Angela
Bernardes desenvolve em seu texto, “Pedaços
que faltam”, a proposta de Jacques-Alain Miller
de retomar a quarta parte do Seminário 10,
A angústia para verificar “a estrutura
do objeto a enraizada no corpo”. Angela dirige
seu interesse para, como ela nomeia, o “nascedouro
do conceito lacaniano de objeto a”, e demarca
o conceito de objeto perdido, o registro real do vazio
substrato da função da causa. Ela então
pergunta como esse vazio se enforma para cada sujeito.
A resposta, Angela encontra nas palavras de Guimarães
Rosa: com “o nada, que é humano e nos
envolve”, e faz consistir, ela complementa,
“a própria estrutura de borda do objeto
a”.
Maria
Angela Maia
Editora de Latusa