Duas atividades da Seção Rio estão bem representadas
neste número de Latusa: a palestra proferida em 18 de
agosto por José Rambeau sobre a prática psicanalítica
na prisão e mais três artigos,
produtos do cartel encarregado da apresentação das
linhas gerais do Seminário de Orientação Lacaniana, de
Jacques-Alain Miller, de 2007-2008.
Rambeau defende a pertinência da presença de um
psicanalista em uma prisão desde que possa resistir e
sustentar seu desejo frente às promessas dos saberes
pseudo-científicos, cada vez mais acatados nas
instituições penitenciárias.
Nos textos do cartel responsável pela apresentação do
Seminário de Orientação Lacaniana 2007-2008, Fernando
Coutinho discute o discurso do mestre e sua utilização
pelas instituições sociais no exercício do poder,
sobretudo pelos terapeutas cognitivo-comportamentais
que, por meio da sugestão, intervêm diretamente no
comportamento do indivíduo.
O conceito de número é trabalhado por Lenita Bentes
tal como é utilizado na psicanálise - não referente à
quantificação, mas ao que há de mais real - uso
disjunto da quantidade e da dedução. Retomando o
paradigma matemático, Lacan se serviu da letra para
articular o matema, excetuando a possibilidade de
dedução, para chegar aos nós, aos quais não se aplica
nenhuma formalização matemática.
A Maria Angela Maia coube refletir sobre a diferença
feita por Miller entre a concepção freudiana de uma
base material para o psiquismo, desenvolvida no
Projeto, e o cognitivismo, que busca fundamentar a
base real para o psiquismo na atividade cerebral
neuronal. Para Miller a materialidade em Lacan é a do
sintoma que, em seu último ensino, é acontecimento de
corpo.
Inês Autran Dourado
Barbosa