nº 36

 

MARÇO DE 2009/ ANO 6

ISSN 2175-1579 

 

Editorial

Neste número 36 de Latusa, o importante e atual texto de Dominique Laurent aborda questões que o século XXI coloca para todos nós analistas. Dentre elas “a pretensão das técnicas de laboratório de escrever cientificamente as condições subjetivas do amor, da felicidade e da relação sexual”. Ao lado disso, a autora observa que a civilização atual produz sujeitos solitários, que buscam seus parceiros fantasmáticos, por exemplo, em sites da Internet, e esclarece que como o sujeito está preso em um gozo autista o que prevalece é parceiro-sintoma. A solidão provocada pelo distanciamento entre os sexos pode ser preenchida por adições em que prevalece o objeto e neste ponto Dominique Laurent avança: o objeto está no comando também por sua denegação. Ele aparece no estilo de vida dos casaisfraternaisque denegam o sexo visando a homeostase que os libera das confusões do sexo e do desejo. O objeto denegado está presente também na relação mãe-filho, que a autora ilustra com a dissimulação, com o não reconhecimento da gravidez, e até mesmo com o infanticídio.

Na direção do privilégio dado à parceria sintomática em nossos dias, Fernanda Dias e Simone Bianchi exploram questões relativas ao gozo feminino e buscam responder à vulnerabilidade das mulheres para a depressão. Como solução para o feminino, propõem pensá-lo pela via do furo, de não tamponá-lo e sim de fabricar o ser com o nada.

Marilene Cambeiro e Cláudia Domingues se ocupam da solidão do gozo autista, enquanto preenchido pela toxicomania, e dos assim chamados novos sintomas formados para além do recalque. Consideram que a pergunta que se impõe à psicanálise no contexto atual é como lidar com os novos sintomas e como ser eficiente com efeitos terapêuticos na clínica contemporânea.

Finalmente, a proposta de Andréa Rolo é analisar a fala de pacientes que apontam para o desinteresse ou a dificuldade de um ou de ambos parceiros do casal em manter uma vida erótica. Ela observa que o problema principal é a relação com os filho e pergunta se a colocação em segundo plano das questões eróticas e o super investimento nos filhos não poderia ser considerado como uma nova forma de encobrimento da não relação sexual. 

Maria Angela Maia

Editora de Latusa

 

Outros Números

 

 

Ratos e mulheres

Dominique Laurent

 

Mulheres, depressão e semblante

Fernanda Dias e Simone Bianchi

 

A responsabilidade da psicanálise com os "novos sintomas"

Claudia Domingues e Marilene Cambeiro

 

Novos muros: “I can’t get no... satisfaction”

Andréa Rolo