|
Editorial
Neste
número Latusa
digital divulga dois textos que retratam momentos
interessantes do trabalho desenvolvido em nossa Seção.
As horas é o comentário
de Ana Lucia Lutterbach Holck que abriu os debates sobre
o filme com o mesmo título exibido em outubro de 2003,
no Cine Buraco. Inscrevendo-se na articulação
entre Psicanálise e cinema, esta atividade é
coordenada por Angela Batista, e conta com a colaboração
de Elza Marques Lisboa de Freitas, Maria Angela Maia
e Sandra Viola. Do ponto de vista de Ana Lucia, o filme
não trata propriamente da depressão das personagens:
Laura Brow, Clarissa Dalloway e Virginia Woolf, mas
sim de três saídas possíveis encontradas por essas mulheres
em épocas diferentes: o casamento, a escrita e a morte.
Em A resposta do analista,
apresentado nas XIV Jornadas clínicas (nov./2003),
Angela Bernardes se serve do comentário de Lacan no
Seminário X sobre o artigo de Margaret Litte
(1956), para situar uma questão relativa à dificuldade
para o analista de manejar a transferência do analisando
em casos nos quais predominam os acting-outs.
Se M. Little traz a análise de Frida como prova de que
a manifestação do analista como pessoa frente à transferência
do analisando, longe de ser um obstáculo à análise,
tem efeitos importantes e até mesmo "necessários" para
um certo tipo de paciente, os que classifica como borderlines,
para Angela trata-se de retomar a resposta de Margaret
Little à paciente e seus efeitos para defender a seguinte
tese: “ainda que, por falta do conceito do desejo do
analista, a questão trazida por Little resvale muitas
vezes numa confusão imaginária quanto ao lugar da analista
na transferência, o desejo do analista esteve indubitavelmente
em ato nesta análise por ela relatada”.
Que estes textos possam despertar
em alguns leitores a lembrança dos proveitosos debates
que eles puderam suscitar!
Elisa
Monteiro
Secretária de edição de Latusa
|